ricardo Caulfield

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Meu voto é do Gabeira

Nesta eleição estou muito tranquilo em relação ao meu voto: vou de Gabeira. Só não me peçam para agir como aquele torcedor que jamais critica o próprio time. Se o Gabeira for eleito, vou torcer por sua administração, não por ele. Então não vou fechar os olhos para os seus equívocos. Ah, será que não estou seguro em relação ao candidato? Ora, é impossível prever se Gabeira fará uma boa administração, mas não existe nenhum político que seja garantia disto. Nenhum. É mais ou menos da mesma forma que nenhum craque de futebol é garantia de vitória. São muitos os fatores que, juntos, formam esta tal de imprevisibilidade.. Às vezes, um bem intencionado político esbarra nas "burocráticas forças do mal", deixando a falsa impressão de que não se empenhou para cumprir as promessas de campanha. Contudo, esta imprevisibilidade faz parte da vida: não dá nem para prever se estaremos vivos amanhã. Ok, estou sendo um pouco fatídico, no entanto quantos não acordaram sem imaginar que estariam vivendo o seu último dia?
Não obstante toda esta conversa sobre imprevisibilidade, meus critérios de escolha são bem objetivos: Fernando Gabeira tem um currículo de defesa de direitos humanos e de meio ambiente que é verdadeiro. Não é um político que surgiu repentinamente como promessas espafalhatosas (vide o Caçador de Marajás no que deu...)
Se é impossível prever uma grande administração, outra coisa, felizmente, é bem fácil de detectar: que Gabeira vai lutar para construir um Rio realmente mais justo, em todos os sentidos, que ele não está preso a interesses reacionários. E contra seu invejável histórico político temos a campanha do seu adversário, que quer oferecer ao povo uma imagem do Gabeira como "almofadinha" com interesses futeis ( como se meio ambiente fosse pouco importante), e representante de uma especie de elite intelectual totalmente fora da realidade...Isto fica claro por uma verdadeira central de boatos que a todo momento divulga tolices do tipo "Gabeira vai liberar a maconha", "Gabeira vai legalizar o casamento de gays"...coisas que não tem pé nem cabeça, porque, sem entrar no mérito da discussão em si, não fazem parte das atribuições do prefeito. Insinuam, maldosamente, apenas para tirar votos do candidato junto a uma parcela mais ingênua da população. Queimar orquestradamente o filme de Gabeira faz parte do vale-tudo da campanha do outro candidato, cujos assessores já começam a enganar a população antes mesmo de o candidato ser eleito. Imagine se isto acontecer. Eu só votaria no Paes se estivesse apreciando o estilo Sergio Cabral Filho de governar. Insensíveis aos anseios da população (veja a penuria em que Cabral deixa a Uerj), parecem farinha do mesmo saco.
Não sou Mãe Diná, a única professia que faço é que no domingo 26 estarei vontado com muita consciência e alegria, pois meu candidato é uma pessoa ligada a direitos humanos, a questões ambientais, que lutou pelas liberdades individuais no período da repressão. Fernando Gabeira é alguém diferentedo modelão de politicos a que estamos acostumados: não fala somente o que se quer escutar.Não é um monstrengo criado por marqueteiros, repetindo bordões que enganam a tantos. Gabeira tem preocupações humanas, em suma, é alguém que não se desvirtuou dos ideais da juventude. Por isso, voto nele com muita alegria. Pela liberdade, por melhores relações humanas, por um Rio de Janeiro mais equilibrado em suas relações sociais. Como é bom poder orgulhar-me de meu voto(como há muito não fazia).

Terça-feira, Setembro 02, 2008

A Auto-avaliação

Vamos fazer uma pequena auto-avaliação, que tal?

Bom, tenho que admitir: escrevo de vez em quando. Quem quiser acompanhar não precisa ficar entrando no Blog todo dia...Mas, se quiser visitar, ok, seja bem vindo!

Outra coisa: este Blog não tem um caráter jornalístico formal, ou seja, não quero me impor aqui a obrigação de um rigor técnico que teria se estivesse escrevendo para um jornal ou revista. Aqui é tudo mais relaxado, é mais um papo entre amigos, uma opinião informal, de certa forma. Contudo, algumas vezes me excedo e escrevo textos queio de elucubrações. E daí?, o Blog é meu!!!!

Então, eis uma pequena análise do que foi publicado neste espaço desde dezembro de 2006. Cheguei á conclusão que este blog se preocupa mais com o Cinema! Mas tudo pode mudar... Olhem abaixo e procurem os artigos, que lhes interessarem nos arquivos. Abraços!

2 artigos sobre Violência: tortura nunca mais (2006) e Equação da violência (2008)

2 artigos sobre Natal (1 análise psico-social e um conto de ficção, ambos em 2006)

Um artigo sobre seleção brasileira e Copa 2006 (em 2006)

2 artigos sobre Relações virtuais

1 Análise social da corrupção (Terra dos falsos, de 2007)

Filmes comentados: Cassino Royale(007), Tudo pela Fama (com Hugh Grant)
A Dama Oculta, (de Alfred Hitchcock), Lula e a Baleia (de Noah Baumbach),
Crime Ferpeito (Alex de La Iglesia),O Cachorro (de Carlos Sorin), Silêncio de Melinda(de Jessica Sharzer), Homem Aranha 3, Onde os fracos não tem vez (dos irmãos Cohen),
A culpa é do fidel (da filha do Costa-Garvas),A era da inocência (Denys Arcand),Tango de Rashevsk(Sam Garbarski) e A Banda (de Eran Kolirin)

Resenha de CD :Dante XXI (Sepultura)

Análise social do momento do Rock

Textos sobre o Flu: 2, Copa do Brasil e Libertadores da América

Resenha de Show: Chuck Berry

É isso, por enquanto, falei mais de cinema. ALém destes textos citados acima, outros também estão postados, falando de minhas experiências, coisas meio inclassificáveis para serem tabeladas, estão mais no nível de memórias afetivas ou viagens passionais. Bom, dêem uma viajada e me digam se gostaram!!

Simone resenha A BANDA

Sobre o filme A BANDA, Simone Muniz me enviou uma bela resenha! Gostei muito, serve para enriquecer o conteúdo deste blog! Leiam, abaixo...

"Todos os personagens de A Banda por um momento se deparam com o imprevisto de ver uma banda oficial do Egito esquecida no lugarejo tão isolado quanto a pequena comunidade de Bat Hattikva, no deserto de Israel. Dois países bastante distintos seriam aparentemente o mote principal do filme. Porém, muito além do tema inicial, outras divergências se destacam bem mais do que a diversidade de países: os dualismos cidade e o interior, músico e policial, homem e mulher, jovem versus velho, o tímido e o saidinho, o chefe e o subordinado. As dissonâncias se acentuam muito além das marcas do país de onde vieram, também na idade, no sexo, nas características físicas e nos modos de sentir de cada um. "A Banda" surpreende por tratar de divergências culturais em geral, muito além das existentes entre dois países.

As várias características e fatos da vida dos personagens são revelados em situações nas quais ficam evidentes as marcas relacionados aos símbolos nacionais como os uniformes, as bandeiras, os aeroportos, embaixadas. Mas, além desse destaque aparente, roubam a cena também os condomínios fechados, pistas de patinação, lanchonetes fast-food e outros ambientes comuns a todos em qualquer lugar do mundo. Esses indícios nos lembram que vivemos de forma semelhante, independente do país. Ao reconhecer essas semelhanças entre países, o espectador passa, ao longo do filme, a buscar aproximação com o filme não mais prioritariamente a partir da história dos dois países, como sugeriria a sinopse do filme, mas das características dos personagens, seja o galã, a mulher independente, o chefe, ou outro. Ao examinar outras possibilidades de identificação, as imagens e estereótipos seriam supostamente úteis nessa busca. Acontece que os rótulos no filme servem mais do que para demonstrar no que os pensamentos e as emoções humanas se assemelham, do que para diferenciar com o que cada expectador se identifica mais.

Nos encontros, há todo tipo de contraste. Em meio à variedade das situações conjugais - o viúvo, o solteiro, o conquistador, os apaixonados, os mal-casados -, destaca-se a divorciada Dina, dona de restaurante, cujo dia-a-dia é cercado por uma emoção contraditória, esbanjada de forma contida. Ela convive com dois jovens homens - não se sabe se são funcionários do restaurante - que parecem ser os mais solitários do lugarejo. O primeiro, fiel à esposa mas extremamente infeliz no casamento, o segundo, tão tímido que não consegue conquistar uma namorada. A monotonia do restaurante é interrompida ao encontrar os integrantes da banda perdidos no meio do deserto israelense.

Dina, no alto da sua vaidade feminina, passa a projetar a imagem do chefe da banda Tewfiq, o "general", como ela chama. Imagina um cara experiente, orgulhoso, com muitos filhos, interessante e exótico naquele lugarejo, sobretudo para uma mulher bonita como ela. A pompa com que Dina enxerga o oficial se intensifica sob a forma da tensão do personagem Tewfiq.

As feições do policial são rígidas, o que parece se dar por conta da inusitada situação de uma banda egipcia perdida no deserto israelense. Imagina-se, a princípio, que todo o nervosismo de Tewfiq seja a necessidade de manter a dignidade e honra do que representa aquele uniforme de uma instituição oficial do Egito em outro país.

Porém, ao longo do filme, diminui importância, para a interpretação das reações do personagem, da profissão que ele tem ou o país que ele vem. À medida em que se revelam as imensas nuances da história de vida do personagem, o expectador abandona o que inicialmente pensou ser a motivação do personagem - cargo, país ou estilo de vida. A complexidade das histórias de vida revelada ao longo do filme mostra inesperadas interpretações que se pode fazer do diferente. A diversidade cultural passa a abarcar além das diferenças pontuais ligadas à nação, à idade, ao sexo, à profissão. E a se relacionar com uma dimensão a mais, a das histórias de vida e da riqueza de sentimentos e sensações ligados a ela.
Todos os personagens de A Banda por um momento se deparam com o imprevisto de ver uma banda oficial do Egito esquecida no lugarejo tão isolado quanto a pequena comunidade de Bat Hattikva, no deserto de Israel. Dois países bastante distintos seriam aparentemente o mote principal do filme. Porém, muito além do tema inicial, outras divergências se destacam bem mais do que a diversidade de países: os dualismos cidade e o interior, músico e policial, homem e mulher, jovem versus velho, o tímido e o saidinho, o chefe e o subordinado. As dissonâncias se acentuam muito além das marcas do país de onde vieram, também na idade, no sexo, nas características físicas e nos modos de sentir de cada um. "A Banda" surpreende por tratar de divergências culturais em geral, muito além das existentes entre dois países.

As várias características e fatos da vida dos personagens são revelados em situações nas quais ficam evidentes as marcas relacionados aos símbolos nacionais como os uniformes, as bandeiras, os aeroportos, embaixadas. Mas, além desse destaque aparente, roubam a cena também os condomínios fechados, pistas de patinação, lanchonetes fast-food e outros ambientes comuns a todos em qualquer lugar do mundo. Esses indícios nos lembram que vivemos de forma semelhante, independente do país. Ao reconhecer essas semelhanças entre países, o espectador passa, ao longo do filme, a buscar aproximação com o filme não mais prioritariamente a partir da história dos dois países, como sugeriria a sinopse do filme, mas das características dos personagens, seja o galã, a mulher independente, o chefe, ou outro. Ao examinar outras possibilidades de identificação, as imagens e estereótipos seriam supostamente úteis nessa busca. Acontece que os rótulos no filme servem mais do que para demonstrar no que os pensamentos e as emoções humanas se assemelham, do que para diferenciar com o que cada expectador se identifica mais.

Nos encontros, há todo tipo de contraste. Em meio à variedade das situações conjugais - o viúvo, o solteiro, o conquistador, os apaixonados, os mal-casados -, destaca-se a divorciada Dina, dona de restaurante, cujo dia-a-dia é cercado por uma emoção contraditória, esbanjada de forma contida. Ela convive com dois jovens homens - não se sabe se são funcionários do restaurante - que parecem ser os mais solitários do lugarejo. O primeiro, fiel à esposa mas extremamente infeliz no casamento, o segundo, tão tímido que não consegue conquistar uma namorada. A monotonia do restaurante é interrompida ao encontrar os integrantes da banda perdidos no meio do deserto israelense.

Dina, no alto da sua vaidade feminina, passa a projetar a imagem do chefe da banda Tewfiq, o "general", como ela chama. Imagina um cara experiente, orgulhoso, com muitos filhos, interessante e exótico naquele lugarejo, sobretudo para uma mulher bonita como ela. A pompa com que Dina enxerga o oficial se intensifica sob a forma da tensão do personagem Tewfiq.

As feições do policial são rígidas, o que parece se dar por conta da inusitada situação de uma banda egipcia perdida no deserto israelense. Imagina-se, a princípio, que todo o nervosismo de Tewfiq seja a necessidade de manter a dignidade e honra do que representa aquele uniforme de uma instituição oficial do Egito em outro país.

Porém, ao longo do filme, diminui importância, para a interpretação das reações do personagem, da profissão que ele tem ou o país que ele vem. À medida em que se revelam as imensas nuances da história de vida do personagem, o expectador abandona o que inicialmente pensou ser a motivação do personagem - cargo, país ou estilo de vida. A complexidade das histórias de vida revelada ao longo do filme mostra inesperadas interpretações que se pode fazer do diferente. A diversidade cultural passa a abarcar além das diferenças pontuais ligadas à nação, à idade, ao sexo, à profissão. E a se relacionar com uma dimensão a mais, a das histórias de vida e da riqueza de sentimentos e sensações ligados a ela. "

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

A Banda de todos nós...

A Banda é daqueles filmes que passeiam tranquilamente entre a melancolia e o humor. A roteiro conta a aventura de uma pequena banda da polícia egípcia que vai para Israel, com intuito de fazer uma apresentação em um centro cultural árabe. O grupo chega no país e não aparece ninguém para buscá-lo no Aeroporto, e,logo os músicos tem de de encarar todo tipo de imprevisto, como o desconhecimento da língua, as diferenças culturais, e não saber nada do caminho para o lugar que fariam a apresentação.
O mote do filme já é engraçado, porque a tal banda, de vestimentas azuis, passa a perambular sem rumo, atraindo a atenção das pessoas da localidades. A dificuldade de se adaptar à situação faz com que os integrantes do grupo acabem lidando com seus dramas pessoais e a conclusão do filme sugere que aquela aventura servirá para fortalecer as relações humanas.
O chefe do grupo, Tewfiq Zacharya, é um homem vivido, personagem interpretado magistralmente por Sasson Gabai.Ele é burocrático, ranzinza, um tipo sempre tenso, mas deixa transparecer um certo tom de tristeza que vai acabar se esclarecendo nos minutos finais da história. Os outros personagens importantes são a mulher Dina, que se interessa por Tewfiq, e o jovem Haled, integrante da banda, que está mais preocupado com suas conquistas amorosas do que com as responsabilidades. O pano de fundo é o deserto, nada mais adequado a uma obra que alude à dificuldade do homem de se relacionar e como esta verdade torna-se incômoda quando estamos expostos a uma situação-limite (como a banda, que estava em um país desconhecido, sem falar a língua local, sem a moeda adequada às necessidades, etc). Agridoce comédia humana, alegre e triste; pequeno filme, de orçamento barato, que consegue dizer tantas coisas...

Terça-feira, Julho 08, 2008

Nenhuma derrota pode diminuir o Fluminense

Ainda ecoa um pouco a derrota do dia 2 de julho...acho que todo mundo ficou chateado de perder a libertadores...mas hoje o sentimento mais forte foi o de ter participado de um momento histórico do clube, pois, mesmo não vencendo, nada vai apagar as vitórias sobre o São Paulo(time que já nos impôs muitos dessabores) e sobre o Boca Juniores, que não era eliminado por um time brasileiro em Libertadores há dezenas de anos...E o torcedor tem que fazer sua parte, na vitória e na derrota. Cumprimos magnificamente nosso papel.
O Flu merecia ter sido campeão, mas não foi, paciência. Eu não me tornei tricolor porque a sala de troféus tinha uma dezena de títulos da libertadores, embora este majestoso recinto tenha até um título da década de 50 que seria o equivalente hoje ao mundial de clubes. A gente se torna tricolor por um motivo maior, algo mais, um valor espiritual, indescritível. Também não deixamos de sê-lo por causa daquele momento sombrio quando caímos para a série C.
Aos que torceram contra, parabéns também. Nos nossos tempos de prazer virtual, é bem coerente que alguns torcedores brasileiros peguem carona no gozo equatoriano.
Perder nos pênaltis não é vexame. Vexame seria se tivéssemos vencido por uma boa diferença de gols no Equador e se sofrêssemos uma goleada no Maracanã. Isto seria vexame. Aliás, isto lembra alguém (ou alguns)?
O que importa foi mesmo a festa maravilhosa feita pela torcida. E festa se prolongou por todos os jogos em que construímos a melhor campanha deste ano. Terminou nas cobranças. Todas estas vitórias foram fruto de um trabalho, então não se chegou tão perto por acaso.
As pessoas gostam de investir na ignorância alheia. Nos mitos. O Internacional, do sul, era, por exemplo, o time que não tinha Libertadores e nem o Mundial, e isso era proclamado pela torcida Rival(que tinha estes títulos). Em 2006 (se não me engano), este tabu caiu. É isto, as torcidas vivem a base destes estigmas, do tipo “nós temos libertadores, vocês não”. Aos profissionais do futebol, cabe derrubar estes mitos e construir outros. Investir nas categorias de base, nas contratações de futuros valores, ou de atletas consagrados. Ou seja, trabalhar para construir uma nova história.
Aos homens da imprensa, espera-se que se distingam minimamente dos torcedores, com idéias mais serenas. Infelizmente, alguns esperaram ansiosamente para celebrarem esta derrota, travestidos de jornalistas. Qual o valor de um diploma de jornalista, se o profissional ganha a vida de fazer juízos de valor superficiais ou divulgar futricas semanais, em suas colunas? Sorte que esses são a minoria.
O Flu chegou bem perto, não foi por acaso. Em 2005 perdemos a Copa do Brasil para o Paulista. Em 2007, fomos de novo à Final e fomos campeões. Não é fruto do acaso, mas do trabalho e da força do patrocinador. Vamos seguir em frente, dar a volta por cima no brasileiro e mostrar que temos um excelente plantel. Flusão, continuo acreditando.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

A equação da Violência

Deu no jornal, nos últimos dias, a notícia sombria, revoltante: “os jovens entregues por militares do Exército a traficantes do morro da Mineira (zona norte do Rio) foram torturados e mortos com 46 tiros, segundo laudo do Instituto Médico Legal”.
A violência, a falta de compromisso com o cidadão, a covardia chocaram o Brasil. Um militar deveria estar servindo supostamente ao país, e não aos desmandos de traficantes...
Mas, em conversa informal que tive com um colega, atentei para outro ponto: a revolta, toda a raiva que este fato despertará em centenas de pessoas que moram na comunidade das vítimas. Os parentes que possivelmente odiarão todos aqueles que vestem farda. A associação dos representantes do lei com o que há de pior no crime. Sim, porque do bandido nada se espera, mas do exército sempre se espera um mínimo de postura. Então, a conclusão é que a violência não se encerra em si, tratando-se de mais uma semente de lançada ao solo das nossas desgastadas relações sociais. São atos como este que confirmam quando se diz que determinada comunidade é excluída (termo que desagrada a muitos estudiosos): afinal, não há como negar que o poder público, ali representado por aqueles militares, não serviu para proteger os jovens (muito pelo contrário).
Para finalizar, uma pergunta-pedrada: quem são essas pessoas que empunham fuzis com a missão de nos proteger? Como se chega a um ponto como este, deste crime hediondo?

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Hail, hail, Chuck Berry!!!

O homem tem 81 anos! Imagine se eu ia deixar de assistir a um dos caras que criaram essa coisa aí, o tal rock? Não, meus amigos, é disso que o rock fala: riffs como o da introdução de Johnny B.Goode! Um riff tão simples e direto e, ao mesmo tempo, por um infindável mistério, de teor absolutamente hipnótico. Ele não precisaria ter criado mais nada, apenas este singelo e “quase subversivo” fraseado do rock. Não, meus amigos, o rock não nasceu de arpejos diminutos de bizarras escalas orientais! O rock é mais simples: blues + country, ou seja, é o escravo e o branco, o sagrado e o profano!!!
E o Chuck veio ao Rio, trouxe o filho, fez um show curto, e daí? Algum nerd da platéia deve ter se iludido: “olha, eu toco bem melhor do que este cara!”. Mas, claro, agora o ensino de guitarra é uma tecnologia vastamente destrinchada. Você faz os exercícios um milhão de vezes por dia e se achar que não tem muito ouvido para a coisa, use um afinador eletrônico! Hoje é uma questão de tempo (para se dedicar), dinheiro (para ter acesso a bons professores e material didático) e, claro, força de vontade! Contudo, se você tem talento natural, facilita muito. É evidente que aqueles não tão dotados de talento também podem se desenvolver, por meio de estudos e até se tornarem respeitáveis músicos! Mas quantos (entre estes músicos talentosos e também entre os não-tão talentosos) criarão riffs como o de "Roll over Beethoven"? Que por sinal, Chuck não tocou no Rio, infelizmente.
Aliás, podemos dizer que um músico clássico jamais poderá assistir a Beethoven ou Chopin em um recital! Jamais assistirá a esses caras, simplestemente porque eles estão fazendo seus recitais em outra dimensão! Mas, nós, afortunados roqueiros(que conseguimos economizar), podemos assistir a um dos inventores do rock! Assistir a Chuck é uma espécie de “benção, meu pai”!
E o show? Olha, o cara tocou rock e algumas levadas de blues, deixou de tocar Rock and roll music e Roll over Beethoven, mas mandou outras como You never can tell, da trilha-sonora de Pulp Fiction, em cena antológica de dança entre Travolta e Thurman!
Sua performance é algo minimalista, em alguns momentos muito delicado e, em outros, espanca a guitarra. As notas – ah, as notas! – nem sempre foram fiéis aos tons propostos, mas nunca deixou de haver atitude! Sua simpatia, seu jeito malandro, digno de nossos sambistas da velha guarda...por sinal, como seria um encontro entre um Chuck Berry e um Walter Alfaiate? Deixemos para outra hora essas digressões...
Tenho que abrir este penúltimo parágrafo para dizer que sempre percebi em Chuck uma diferença grande para muitos outros roqueiros como Little Richard ou Elvis, ou mesmo Jerry Lee Lewis. Ao contrário destes, a performance vocal nunca foi visceral. Chuck Berry sempre colocou a voz de uma maneira algo chorada. Em dúvida, ouça “Menphis, Tenessee”, que foi muito regravada, mas ficou insuperável na versão original. E, talvez, por este seu estilo vocal, que contrastava com sua guitarra vibrante, hoje o cantor tenha conseguido adaptar bastante o seu repertório a uma performance mais lenta. Malandramente melancólico.
Àqueles que se decepcionaram com o show, uma pergunta. Por que velho roqueiro deveria se aposentar? Suas musicas estão imortalizadas nos CDs e sempre serão fonte de entretenimento. Estão perfeitas, brilhantes e serão reproduzidas eternamente em todos os tipos de mídia. São registros de uma época. Contudo, como podemos negar que a arte é um quesito selvagem e se manifesta justamente pelo ingrediente humano? E nada mais humano do que o fator tempo, que fez Chuck Berry metamorfosear toda a sua obra para que ela possa ser executada com dignidade depois de mais de oito décadas de história! Ele tocou o repertório que quis e não tentou ser um cover de si mesmo. Ironia: usar o passado da maneira como quer sem estar acorrentado a esta ou aquela convenção. Ele é gênio.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Previsão soturna

O desenvolvimento da humanidade passou por muitos estágios, e podemos pensar na trajetória como marcada pelo desenvolvimento da ciência, da tecnologia e também das sociedades. Ora, o homem das cavernas era um ser rudimentar, uma espécie instintiva, muito distante do homem que hoje se veste para proteger do frio(e se preocupa com visual destas vestimentas) e que se comunica por computadores ou celulares. Durante muito tempo, preso aos instintos básicos, o homem foi o maior inimigo do homem.
A civilização passa por essa idéia: é preciso criar alguma regra para se proteger, ou seja, proteger-se do próprio homem, o adversário que surgia à espreita, mais esperto do que os outros animais. Por mais que vejamos que as leis em países como o Brasil servem a uns poucos, sem dúvida, as leis foram criadas, no mundo, para proteger as comunidades. Era esta a idéia, pena que não exista um esquilíbrio de forças hoje que tornem mais justa a aplicação destas regras.
E por que estou falando disto? Vou fazer aqui uma previsão soturna: o homem hoje corre o risco de tornar-se infinitamente mais violento do que já foi em sociedades anteriores. Imagine um futuro em que possamos decidir tudo pelo computador (e estamos quase lá, mas imagine isso em um escala multiplicada por dez!!!), o homem isolado em seu “feudo tecnológico”, com as redes sociais baseadas em vínculos superficiais...Nesta sociedade em que clicamos um botão do computador e recebemos uma pizza, também poderemos clicar um botão, passar um cartão de crédito e ordenar um homicídio... sinistro, não? Sabem por que isso pode acontecer? Porque a pessoa apenas apertaria o botão e não se sentiria como a verdadeira autora do crime, não haveria o esguichar de sangue, seria quase como eliminar um vilão de videogame. A culpa estaria definitivamente amortecida.
E a culpa é da internet? Não, a web é uma oportunidade maravilhosa de tornar a vida melhor, fazer mais amigos e tudo mais. O problema de hoje é o excesso de individualismo e a superficialidade dos laços afetivos, e tudo isso decorre desta sociedade que nos bombardeia com mensagens que nos dizem que temos ser os melhores, os mais belos, os “mais tudo”. Precisamos investir na amizade, em coisas mais duradouras. O ser humano é capaz de ações terríveis, mas também de atitudes que nos enchem de esperança. Contudo, para chegar a este último ponto, precisa ser estimulado.