Sobre o filme A BANDA, Simone Muniz me enviou uma bela resenha! Gostei muito, serve para enriquecer o conteúdo deste blog! Leiam, abaixo...
"Todos os personagens de A Banda por um momento se deparam com o imprevisto de ver uma banda oficial do Egito esquecida no lugarejo tão isolado quanto a pequena comunidade de Bat Hattikva, no deserto de Israel. Dois países bastante distintos seriam aparentemente o mote principal do filme. Porém, muito além do tema inicial, outras divergências se destacam bem mais do que a diversidade de países: os dualismos cidade e o interior, músico e policial, homem e mulher, jovem versus velho, o tímido e o saidinho, o chefe e o subordinado. As dissonâncias se acentuam muito além das marcas do país de onde vieram, também na idade, no sexo, nas características físicas e nos modos de sentir de cada um. "A Banda" surpreende por tratar de divergências culturais em geral, muito além das existentes entre dois países.
As várias características e fatos da vida dos personagens são revelados em situações nas quais ficam evidentes as marcas relacionados aos símbolos nacionais como os uniformes, as bandeiras, os aeroportos, embaixadas. Mas, além desse destaque aparente, roubam a cena também os condomínios fechados, pistas de patinação, lanchonetes fast-food e outros ambientes comuns a todos em qualquer lugar do mundo. Esses indícios nos lembram que vivemos de forma semelhante, independente do país. Ao reconhecer essas semelhanças entre países, o espectador passa, ao longo do filme, a buscar aproximação com o filme não mais prioritariamente a partir da história dos dois países, como sugeriria a sinopse do filme, mas das características dos personagens, seja o galã, a mulher independente, o chefe, ou outro. Ao examinar outras possibilidades de identificação, as imagens e estereótipos seriam supostamente úteis nessa busca. Acontece que os rótulos no filme servem mais do que para demonstrar no que os pensamentos e as emoções humanas se assemelham, do que para diferenciar com o que cada expectador se identifica mais.
Nos encontros, há todo tipo de contraste. Em meio à variedade das situações conjugais - o viúvo, o solteiro, o conquistador, os apaixonados, os mal-casados -, destaca-se a divorciada Dina, dona de restaurante, cujo dia-a-dia é cercado por uma emoção contraditória, esbanjada de forma contida. Ela convive com dois jovens homens - não se sabe se são funcionários do restaurante - que parecem ser os mais solitários do lugarejo. O primeiro, fiel à esposa mas extremamente infeliz no casamento, o segundo, tão tímido que não consegue conquistar uma namorada. A monotonia do restaurante é interrompida ao encontrar os integrantes da banda perdidos no meio do deserto israelense.
Dina, no alto da sua vaidade feminina, passa a projetar a imagem do chefe da banda Tewfiq, o "general", como ela chama. Imagina um cara experiente, orgulhoso, com muitos filhos, interessante e exótico naquele lugarejo, sobretudo para uma mulher bonita como ela. A pompa com que Dina enxerga o oficial se intensifica sob a forma da tensão do personagem Tewfiq.
As feições do policial são rígidas, o que parece se dar por conta da inusitada situação de uma banda egipcia perdida no deserto israelense. Imagina-se, a princípio, que todo o nervosismo de Tewfiq seja a necessidade de manter a dignidade e honra do que representa aquele uniforme de uma instituição oficial do Egito em outro país.
Porém, ao longo do filme, diminui importância, para a interpretação das reações do personagem, da profissão que ele tem ou o país que ele vem. À medida em que se revelam as imensas nuances da história de vida do personagem, o expectador abandona o que inicialmente pensou ser a motivação do personagem - cargo, país ou estilo de vida. A complexidade das histórias de vida revelada ao longo do filme mostra inesperadas interpretações que se pode fazer do diferente. A diversidade cultural passa a abarcar além das diferenças pontuais ligadas à nação, à idade, ao sexo, à profissão. E a se relacionar com uma dimensão a mais, a das histórias de vida e da riqueza de sentimentos e sensações ligados a ela.
Todos os personagens de A Banda por um momento se deparam com o imprevisto de ver uma banda oficial do Egito esquecida no lugarejo tão isolado quanto a pequena comunidade de Bat Hattikva, no deserto de Israel. Dois países bastante distintos seriam aparentemente o mote principal do filme. Porém, muito além do tema inicial, outras divergências se destacam bem mais do que a diversidade de países: os dualismos cidade e o interior, músico e policial, homem e mulher, jovem versus velho, o tímido e o saidinho, o chefe e o subordinado. As dissonâncias se acentuam muito além das marcas do país de onde vieram, também na idade, no sexo, nas características físicas e nos modos de sentir de cada um. "A Banda" surpreende por tratar de divergências culturais em geral, muito além das existentes entre dois países.
As várias características e fatos da vida dos personagens são revelados em situações nas quais ficam evidentes as marcas relacionados aos símbolos nacionais como os uniformes, as bandeiras, os aeroportos, embaixadas. Mas, além desse destaque aparente, roubam a cena também os condomínios fechados, pistas de patinação, lanchonetes fast-food e outros ambientes comuns a todos em qualquer lugar do mundo. Esses indícios nos lembram que vivemos de forma semelhante, independente do país. Ao reconhecer essas semelhanças entre países, o espectador passa, ao longo do filme, a buscar aproximação com o filme não mais prioritariamente a partir da história dos dois países, como sugeriria a sinopse do filme, mas das características dos personagens, seja o galã, a mulher independente, o chefe, ou outro. Ao examinar outras possibilidades de identificação, as imagens e estereótipos seriam supostamente úteis nessa busca. Acontece que os rótulos no filme servem mais do que para demonstrar no que os pensamentos e as emoções humanas se assemelham, do que para diferenciar com o que cada expectador se identifica mais.
Nos encontros, há todo tipo de contraste. Em meio à variedade das situações conjugais - o viúvo, o solteiro, o conquistador, os apaixonados, os mal-casados -, destaca-se a divorciada Dina, dona de restaurante, cujo dia-a-dia é cercado por uma emoção contraditória, esbanjada de forma contida. Ela convive com dois jovens homens - não se sabe se são funcionários do restaurante - que parecem ser os mais solitários do lugarejo. O primeiro, fiel à esposa mas extremamente infeliz no casamento, o segundo, tão tímido que não consegue conquistar uma namorada. A monotonia do restaurante é interrompida ao encontrar os integrantes da banda perdidos no meio do deserto israelense.
Dina, no alto da sua vaidade feminina, passa a projetar a imagem do chefe da banda Tewfiq, o "general", como ela chama. Imagina um cara experiente, orgulhoso, com muitos filhos, interessante e exótico naquele lugarejo, sobretudo para uma mulher bonita como ela. A pompa com que Dina enxerga o oficial se intensifica sob a forma da tensão do personagem Tewfiq.
As feições do policial são rígidas, o que parece se dar por conta da inusitada situação de uma banda egipcia perdida no deserto israelense. Imagina-se, a princípio, que todo o nervosismo de Tewfiq seja a necessidade de manter a dignidade e honra do que representa aquele uniforme de uma instituição oficial do Egito em outro país.
Porém, ao longo do filme, diminui importância, para a interpretação das reações do personagem, da profissão que ele tem ou o país que ele vem. À medida em que se revelam as imensas nuances da história de vida do personagem, o expectador abandona o que inicialmente pensou ser a motivação do personagem - cargo, país ou estilo de vida. A complexidade das histórias de vida revelada ao longo do filme mostra inesperadas interpretações que se pode fazer do diferente. A diversidade cultural passa a abarcar além das diferenças pontuais ligadas à nação, à idade, ao sexo, à profissão. E a se relacionar com uma dimensão a mais, a das histórias de vida e da riqueza de sentimentos e sensações ligados a ela. "